Ser mulher é, antes de tudo, viver múltiplas versões de si ao longo do tempo — e, muitas vezes, ao mesmo tempo. Profissional, mãe, filha, parceira, cuidadora, ou tudo isso junto. Cada trajetória é única, mas há algo que conecta essas experiências: a busca por equilíbrio entre as demandas do dia a dia e o cuidado com a própria saúde.
Ao ouvir diferentes mulheres clientes da Unimed Porto Alegre, fica claro que essa construção não é simples. A sobrecarga aparece em diversos relatos, seja na forma de ansiedade, cansaço ou na sensação constante de precisar dar conta de tudo. “É difícil estar 100% em todas as funções sem sentir que estou equilibrando vários pratos ao mesmo tempo”, resume Thais Campos, gerente comercial.
Ainda assim, há consciência sobre a importância do autocuidado, mesmo que, na prática, ele nem sempre aconteça com a frequência desejada. Muitas reconhecem que priorizar a própria saúde ainda é um desafio. Entre trabalho, família e responsabilidades, o tempo para si acaba ficando em segundo plano.
“Em alguns momentos, a sobrecarga me deixa preocupada e chateada. E esse excesso de demandas, inclusive com os pais bem idosos, muitas vezes, dificulta que eu priorize a minha saúde. Gostaria de ter mais tempo para fazer exercícios e cuidar ainda mais da minha alimentação”, diz a professora Mariângela M. Toaldo.
Quando conseguem algum momento para si, as mulheres geralmente recorrem a estratégias como exercícios físicos, alimentação equilibrada e descanso — práticas essenciais, mas que nem sempre são sustentadas diante da rotina intensa. Outras reforçam que gostariam de ter mais momentos de pausa, para seus hobbies ou lazer ou simplesmente um tempo sem interrupções.
Redes de apoio e maternidade
A maternidade aparece como uma experiência profundamente transformadora para a maioria das mulheres. Ela redefine prioridades e amplia responsabilidades. “Mudou tudo, e acrescentou uma camada de complexidade que não imaginava antes. Um dos maiores desafios é conseguir estar presente e inteira, especialmente em um contexto profissional e digital que exige atenção constante,” afirma a fotógrafa Cristina Tronco.
Ana Fritsch, jornalista e consultora de imagem, afirma que após a maternidade passou a se colocar em segundo plano. “Acho que o principal desafio é conciliar as demandas pessoais e profissionais. Não imaginava o quanto minha vida mudaria, sem possibilidade de retorno ao que era antes”, relata.
O desafio vai além do fazer — envolve estar presente, educar, acolher e, ao mesmo tempo, lidar com a própria exaustão. E há aprendizados que só vêm com o tempo: não existe fórmula pronta, cada maternidade é única, e cada caminho é construído na prática.
“Sou mulher enquanto sou mãe. A maternidade atravessa tudo.” Cristina Tronco
Nesse contexto, o apoio ganha um papel central. Ter com quem contar não é apenas uma ideia abstrata, é presença e acolhimento. “É ter alguém que segure sua mão quando você não consegue se manter firme sozinha”, diz Rúbia Fagundes, estudante e empresária.
Para Cristina, ter com quem contar é como uma escuta sem julgamento. Já para Thais esse suporte está calcado no apoio emocional, especialmente em momentos de maior pressão. “Como é importante ter alguém que nos ajude a retomar o equilíbrio”, observa.
Apesar dos desafios, a maternidade traz momentos de grande significado. O orgulho aparece em pequenos gestos: um filho que demonstra empatia, que age com autonomia, que confia o suficiente para compartilhar suas experiências. “Percebo que estou no caminho certo quando vejo meus filhos agindo de forma correta, honesta e com orgulho de si mesmos”, diz Alessandra Saboia de Melo, administradora de empresas. São sinais que mostram que, mesmo em meio à sobrecarga, há construção e cuidado.
“A gente não tem que ser aquela supermãe, não temos obrigação de dar conta de tudo. O que a gente precisa, na verdade, é ter pessoas com quem contar”, afirma Dione Patrícia Braga, enfermeira da Unimed Porto Alegre. Essa ideia de que ninguém deveria atravessar a maternidade sozinha está presente no trabalho desenvolvido pela área materno-infantil do programa Viver Bem da Unimed Porto Alegre. “Por meio de ações voltadas para gestantes e puérperas, é oferecido acompanhamento e orientação ao longo da gravidez e nos primeiros meses após o parto, fortalecendo a rede de apoio e ajudando mulheres e famílias a vivenciarem esse período com mais informação e suporte”, ressalta.
“Raramente consigo me dedicar à própria saúde. Gostaria muito de um tempo para mim, em que pudesse me desligar de todas as funções, sem interrupções.” Thais Campos
Além do acompanhamento voltado para gestantes e puérperas, o Viver Bem reúne iniciativas ligadas à promoção da saúde e qualidade de vida, com atividades gratuitas para a comunidade. São oficinas, aulas e orientações sobre alimentação, saúde mental, atividade física e cuidados com o bebê. Para clientes Unimed, o programa também oferece acompanhamento individual com enfermeira obstetra durante a gestação e o puerpério.
“Muitas das gestantes procuram o programa carregando inseguranças, e nosso papel é acolher e trazer de uma forma leve um conteúdo que tem um embasamento técnico e é fruto também da troca que a gente tem com todas as mamães ao longo de mais de uma década”, explica Dione, lembrando que às vezes as gestantes chegam com informações de redes sociais, que nem sempre são as mais confiáveis.
Assim, os encontros online e presenciais do curso de gestante e de outras oficinas auxiliam as mães e suas famílias a esclarecerem suas dúvidas.
Para além da maternidade
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que ser mulher não se resume à maternidade. Entre as vozes ouvidas, há também quem não seja mãe e que reforce outras formas de viver essa identidade. “Ser mulher é um privilégio. Somos fortes, atuantes, realizadoras e, ao mesmo tempo, emocionais, criativas e versáteis.” diz Mariângela. Esse olhar amplia a conversa e lembra que existem múltiplos caminhos, todos legítimos.
“Ter com quem contar, para mim significa presença, o sentimento de estar sendo acompanhada, mesmo que à distância.” Mariangela M. Toaldo
No fim, todas essas histórias apontam para a mesma direção: cuidar da saúde vai além do corpo. Envolve tempo, apoio, escuta e escolhas possíveis dentro da realidade de cada mulher. Trata-se de encontrar formas de equilibrar as demandas sem se deixar de lado, e reconhecer que o cuidado também precisa incluir quem cuida de todos. Porque, em todas as formas de ser mulher, o essencial é ter suporte para viver cada uma delas com mais segurança, bem-estar e leveza.
“Ser mulher é...
... ocupar meu espaço, tomar minhas decisões e sustentar minha independência.”
... um misto de sentimentos.”
... ser sobre-humana.”
... ser multifunções.”
... um privilégio, somos fortes, atuantes, realizadoras e, ao mesmo tempo, emocionais, criativas e versáteis.”